Fragmentos Móveis

Sketchbooks – As Páginas Desconhecidas do Processo Criativo segunda-feira, 8 novembro, 2010

Filed under: Artes Plásticas,Brincando no Parquinho,Ilustrações — fragmentosmoveis @ 12:03 am

Li na Folha que saiu um livro muito interessante. A editora Pop lançou a versão brasileira do livro “Sketchbooks – As Páginas Desconhecidas do Processo Criativo” (organização de Cezar de Almeida e Roger Bassetto, 272 págs., R$ 120). O livro traz imagens e depoimentos de 26 artistas com a proposta de desvendar o método de criação de cada um. Nesse link dá para ter uma prévia das imagens no site da Folha.

Sketchbook de Renato Alarcão

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Esquecer é parte da nossa sobrevivência terça-feira, 2 novembro, 2010

Filed under: Uncategorized — fragmentosmoveis @ 11:53 pm

Arrumar coisas antigas tem sempre o objetivo de jogá-las fora. Para mim uma tarefa sempre postergada, freqüentemente por anos, e que dispende muito tempo. Não só por causa da quantidade de coisas – na verdade a maior parte papéis – guardados, mas porque a cada folha ou recorte ou jornal ou pedaço de papel, eu tenho que ver e decidir. Às vezes também não me escapa à leitura e me vejo absorta como a ler o livro da minha vida.
Na limpeza desse feriado encontrei um artigo do Estadão sobre a obra do neurocientista Iván Izquierdo. “Esquecer é parte da nossa sobrevivência”. “Criamos memórias falsas o tempo todo”. “Não há memória que não seja relacionada a um sentimento seja ele alegre, triste, eufórico, melancólico.” “Ninguém esquece o dia em que morreu Ayrton Senna, mas ninguém lembra o que estava fazendo antes ou depois dele”.
Fico contente com as caixas que consigo preencher rumo à lixeira, mas elas nunca superam as que ficam, contrariando o olhar do marido e o neurocientista, que diz que o esquecimento talvez seja o aspecto predominante de nossa memória. Guardo para não esquecer?
As coisas “úteis” que reencontro, porém, raramente são reutilizadas, mas já que estão nesta categoria, mudam de lugar e continuam na casa. Guardo para relembrar?
Por outro lado, por coincidência, uma das coisas que o neurocientista ressaltou foi o que ele chama de extinção e repressão, como a forma mais acabada da arte de esquecer. “Fulano era do PDT, mas agora está no PT”. Sabem de quem estou falando, não?

Estou tentando rever os critérios do que “fica” e o que “vai”. Reconhecer que informações tornaram-se antigas e dispensáveis, reconhecer que não sou historiadora nem depositória de algum museu. Reconhecer que a vida é transitória e que, um dia quando eu partir, provavelmente tudo isso irá para o lixo muito rapidamente e o espaço estará livre para outras existências, conhecimentos, emoções.