Fragmentos Móveis

Veja o mapa da Virada Cultural 2010 sexta-feira, 14 maio, 2010

Filed under: Arte,Arte de Rua,Cultura,Eventos,Música,Virada Cultural — fragmentosmoveis @ 1:41 pm

A maratona começa às 18h de sábado (15/5/10), ao som dos cubanos Barbarito Torres e Ignacio Mazacote, do grupo Buena Vista Social Club, e segue pela noite, madrugada,manhã e tarde, sem parar, até às 18h de domingo.

Praça Júlio Prestes
Av. Duque de Caxias, próximo à Sala São Paul
18h: Barbarito Torres e Ignacio Mazacote (Cuba)
21h: Zélia Duncan
00h: Céu
03h: Living Colour (EUA)
06h: Instituto + Z’África Brasil
09h: Palavra Cantada
12h: Toquinho
15h: ABBA – the Show (Suécia – Inglaterra)
18h: Cantoria – Elomar, Xangai, Vital Farias e Geraldo Azevedo
Além da abertura com os músicos cubanos, o principal palco da Virada traz duas cantoras, uma com maior apelo popular (Zélia Duncan) e outra com carreira ascendente no exterior (Céu). Velho conhecido do público brasileiro, a banda norte-americana Living Colour deve reunir fãs fiéis na madrugada ao som de seu último álbum, The Chair in the Doorway (2009), assim como o Instituto acompanhado do Z’África Brasil, únicos expoentes da música negra na programação. À tarde, é a vez de uma homenagem ao grupo ABBA, mas não se engane com a propaganda de que a formação tem “dois membros originais”: são apenas músicos de estúdio do quarteto. A Virada se despede com a rara chance de ver Geraldo Azevedo, Elomar, Xangai e Vital Farias recriarem o aclamado álbum Cantoria, de 1984.

Praça da República
Próximo à av. Ipiranga, virado para a Rua do Arouche
19h: Paulo Vanzolini
21h: Nelson Sargento
23h: Baile do Simonal – Simoninha e Max de Castro
01h: Jair Rodrigues
03h: Elza Soares e Sandália de Prata
05h: Orlandivo e Clube do Balanço
07h: Terreirão do Sobral
09h: Almir Guineto
11h: Reinaldo, o Príncipe do Pagode
13h: Leandro Sapucahy
15h: Arlindo Cruz
17h: Germano Mathias e Dicró
Dedicado ao samba, começa com veteranos e expoentes do gênero, arranjando espaço para um tributo à bossa de Wilson Simonal, levado a cabo pelos filhos Simoninha e Max de Castro. O domingo traz o samba contemporâneo de Arlindo Cruz e Leandro Sapucahy, e dá adeus com as composições bem-humoradas de Germano Mathias, ao lado de Dicró.

Bulevar São João
No Vale do Anhangabaú
19h: Hermeto Pascoal
21h: Airto Moreira
23h: Booker T (EUA)
01h: The Temptations – Feat. Glenn Leonard (EUA)
03h: Orquestra Popular de Frevo do Recife
05h: Edy Star – Sociedade da Grã-Ordem Kavernista apresenta Sessão das Dez
07h: Nei Lisboa
09h: Nito Mestre (Sui Generis – Argentina)
11h: Tatit, Wisnik e Nestrovski
13h: Grupo Medusa
15h: Flora Purim
17h: Letieres Leite e Orkestra Rumpilezz
Descrito como um espaço para “virtuosos”, começa com dois mestres da música instrumental: Hermeto Pascoal e Airto Moreira, do mesmo nicho de jazz que a cantora Flora Purim, na tarde de domingo, integra. Nas atrações internacionais, estão Booker T, lenda da soul music norte-americana; a nova encarnação do Temptations, um dos grupos vocais masculinos mais famosos dos EUA; e o argentino Nito Mestre, parceiro de Charly García no duo Sui Generis. O cantor gaúcho Nei Lisboa destoa do resto da escalação, mas deve atrair um punhado de fãs com chimarrão no início da manhã.

Vieira de Carvalho
Largo do Arouche, virado para a Av. Vieira de Carvalho
19h: Arrigo Barnabé – Caixa de Ódio: o Universo de Lupicínio Rodrigues
21h: André Abujamra – Desengonçalves, Canções de Nelson Gonçalves
23h: Frank Elvis & los Sinatras – Bailinho
01h: Sidney Magal
03h: Luis Caldas
05h: Double You
07h: Brothers of Brazil
09h: Waldirene
11h: Jerry Adriani
13h: Angelo Maximo
15h: Vanusa
17h: Wanderléa
Une desde homenagens a Nelson Gonçalves e Lupicínio Rodrigues, em seu centenário, até alguns nomes da Jovem Guarda, como Waldirene e Wanderléa. Na madrugada, festa com Sidney Magal e Luís Caldas. Culpe a diversidade, mas também entram na jogada Vanusa, Jerry Adriani, o poperô de Double You e os irmãos Suplicy, na pele do Brothers of Brazil.

Avenida São João
Av. São João, próximo a Rua General Osório, virado para a Av. Ipiranga
20h: Grand Mothers – Re:invented
22h: Big Brother & the Holding Co.
00h: Patrulha do Espaço
01h30: L.A. Guns
03h30: Velhas Virgens – Tributo a Adoniran Barbosa
05h30: Krisium
07h30: Imbyra
09h30: Pitty
11h30: CPM 22 – Só Ramones
13h30: Raimundos
15h30: Pequeno Cidadão
17h30: Titãs
Se o palco rock tem espaço para aberrações como a homenagem do CPM 22 ao Ramones e o Raimundos séculos 21, também trouxe atrações internacionais. As principais delas são a banda de Frank Zappa, Mothers of Invention – rebatizada de Grand Mothers – e a Big Brother & the Holding Co, que alçou Janis Joplin à fama. O L.A. Guns foi o grupo de Axl Rose e é recomendado apenas para fãs hardcore do Guns N’ Roses. No meio de tudo isso, um alento: o Pequeno Cidadão, projeto infantil de Arnaldo Antunes, Edgard Scandurra e outros colaboradores.

Casper Líbero
Dois palcos, próximos às ruas Washington Luís e Mauá
19h: Juliana Kehl
20h40: Detetives
22h20: Tulipa Ruiz
00h: Dudu Tsuda
01h40: Cacau Brasil
03h20: Comma
05h: Naná Rizzini
06h40: Banda Dc
08h20: Rodrigo Campos
10h: Sambô
11h40: Rubra Pop Show
13h20: Karina Buhr
15h: Sweet Flavour Band
16h40: Mallu Magalhães
18h10: Musica do Mato (MT)
19h50: Caldo de Piaba (AC)
21h30: Black Drawing Chalks (GO)
23h10: Camarones Orquestra Guitarrística (RN)
00h50: Galinha Preta (DF)
02h30: Plastique Noir (CE)
04h10: Baba de Mumm-Rá (TO)
05h50: Vendo 147 (BA)
07h30: Hey Hey Hey (RO)
09h10: 4Instrumental (MG)
10h50: Aeromoças e Tenistas Russas (SP)
12h30: Nervoso e os Calmantes (RJ)
14h10: Terra Celta (PR)
15h50: Rinoceronte (RS)
17h30: Cabruêra (PB)
Com curadoria da Abrafin (Associação Brasileira de Festivais Independentes), traz desde nomes interessantes da cena indie (Black Drawing Chalks, Nervoso e os Calmantes, Tulipa Ruiz, Karina Buhr) a novidades da música nacional. A “veterana” Mallu Magalhães, na tarde de domiungo, parece perdida em um espaço dedicado aos, digamos, esquecidos da grande mídia.

Alameda Barão de Limeira
Próximo à Duque de Caxias
19h: Orquestra Brasileira de Música Jamaicana
21h: Pablo Moses (Jamaica)
23h: Cidade Negra e Ras Bernardo – Lute para Viver (1991)
01h: Fully Fullwood (Jamaica)
03h: Planta e Raiz
05h: Tribo de Jah
07h: Djambi
09h: Pedra Rara
11h: Leões de Israel
13h: Mano Bantu
15h: Clinton Fearon (Jamaica)
17h: Big Youth (Jamaica)
Inaugura um espaço específico para o reggae. Destaque para nomes atuais do Brasil e abra espaço para os jamaicanos – no caso, Pablo Moses e os grupos Fully Fullwood e Big Youth.

Estação da Luz
Espaço das orquestras
18h: Jazz Sinfônica
22h: Orquestra Sinfônica Municipal e Coral Lírico – “Carmina Burana”
00h: Orquestra Experimental de Repertório – “Porgy & Bess”
04h: Quinteto Conclave
07h: Banda Jazz Sinfônica de Diadema
10h: Banda Sinfônica do Estado
13h: Danilo Brito, Mike Marshall e Catherina Lichtenberg – Encontro de Bandolins
16h: Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo – Osesp
17h: Tchaicovsky Pas de Deux – São Paulo Cia de Dança e Osesp

Estação da Luz
Palco da dança
19h30: Raça Cia de Dança de São Paulo
21h: Diários de Viagem – Omstrab
23h30: Gnawa – São Paulo Cia de Dança
01h10: Baseado em Fatos Reais – Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira Cia de Dança
02h20: Diálogo – Jean Abreu e Guga Stroeter
03h: Embodied Voodoo Game – Cena 11 Cia. de Dança
05h00: “She´s Lost Control” – Cia. Vitrola Quântica
06h15: Corpo de Passagem – Grua
08h30: Corpo de Baile Jovem da Escola Municipal de Bailado
09h: Yin – Stacattospciadança
11h30: Balé Popular do Recife e Antúlio Madureira
14h30: Kathak Teen Taal – Kanchan Maradan
15h15: Danses Concertantes, Sabiá e Forrolins – Cisne Negro
17h10: Kathak Dhamaar – Kanchan Maradan
18h: Canela Fina – Balé da Cidade de São Paulo

Melhores Pastéis de Feira da Cidade: as dez melhores barracas de pastel de feira dos bairros de São Paulo, eleitas recentemente, estarão distribuídas pelo Centro, acompanhadas por barracas de garapa e de frutas. Espaços cadastrados pela organização vão comercializar bebidas e alimentos ao preço mais baixo possível: esse foi o critério de seleção.
Galeria Prestes Maia: será o lugar de uma programação “alternativa”, com enfoque na cultura da tatuagem, da suspensão (aquela em pessoas ficam penduradas com ganchos presos ao corpo) e de DJs com estilos diversos, de rock, pop, passando pelo country e até death metal.
Marchinhas de São Luiz do Paraitinga: montado no Largo da Misericórdia, próximo à Sé, o palco vai simular ao longo de 24 horas o carnaval da cidade do interior paulistano, atingida por enchentes no início deste ano.
Dimensão Nerd: na Praça Roosevelt, servirá de chegada para desfiles de fãs de Guerra e Jornada nas Estrelas e adeptos do Cosplay, fantasias de personagens fantásticos variados. Haverá ainda exposições, stands temáticos, mesas para RPGs e jogos de tabuleiro, discotegem correlata e espaço para editoras de quadrinhos.
Cinemas na Virada: a programação expande o projeto bem sucedido do ano passado e recupera o glamour dos cinemas históricos do Centro, hoje dedicados a produções pornô, com ciclos específicos. O Cine Windsor (Ipiranga, 174) exibirá filmes de zumbi; o Cine Dom José (Dom José, 306), filmes de lobisomem; e o Cine Arouche (Largo do Arouche, 426), musicais clássicos de Hollywood. A Cinemateca Brasileira coloca em suas duas salas uma belíssima programação dedicada à música, o HSBC Belas Artes privilegia o dito cinema gastronômico e Cine Olido, na Galeria Olido, sedia uma retrospectiva da Mostra Internacional de São Paulo.
Centro Cultural Banco do Brasil: além de abrir suas portas ao longo da noite, o CCBB promove uma sessão gratuita do espetáculo “Simplesmente Eu, Clarice Lispector”, monólogo de Beth Goulart, às 22h. Entrada franca, mediante retirada de senha uma hora antes do início.
Unidades do Sesc: programação bastante variada. O Sesc Consolação reúne, a partir das 18h, covers de Amy Winehouse, Bee Gees, Michael Jackson e Madonna, entre outros. No Sesc Pompeia, a Orquestra Imperial comanda quatro horas de festa, entre as 20h e 2h, com ingressos de R$ 3 a R$ 12. Amantes do teatro tem uma boa oportunidade de assistir ao último espetáculo do Grupo Galpão, “Till, a Saga de Um Herói Torto”, à 0h30, no Sesc Santana. Na mesma unidade, dois shows interessantes: Arnaldo Antunes, às 23h, e Movéis Coloniais de Acaju, às 3h30.
Casa das Rosas: três atrações musicais que valem seu tempo. Às 15h de sábado, Lanny Gordin, o guitarrista da Tropicália, se apresenta com sua banda. Às 19h, Sérgio Ricardo, que acaba de ganhar uma biografia, toca ao lado de Filó Machado. Na sequência, às 21h, Tetê Espíndola faz um apanhado de sua carreira.
Memorial da América Latina: a Orquestra Jovem Tom Jobim toca ao lado de Mônica Salmaso e o grupo Pau Brasil às 21h, no qual a cantora apresenta as canções de Chico Buarque que deram origem a seu último álbum, “Noites de Gala, Samba na Rua”.

– Confira dicas de hospedagem, restaurantes, pacotes temáticos e passeios

– Consulte a programação completa da Virada Cultural 2010 no site oficial

 Veja o mapa da Virada Cultural no site Globo.com.

 

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O restaurante inalcançável quinta-feira, 1 abril, 2010

Filed under: Brincando no Parquinho,Crônicas — fragmentosmoveis @ 12:35 am

Será que foi sentimento de culpa?

No fim de semana, um amigo buscava uma indicação de restaurante no Twitter. Dos “retuítes” que enviou um deles me interessou: um link para o site de um restaurante que há tempos queria ir, mas já tinha até esquecido.

Oba, legal, entrei no site, relembrei o endereço super perto da minha casa e para lá partimos, eu, marido, filha e enteado, sem guarda-chuva e a pé, num domingo garoento. Tão bom andar a pé, mesmo com fina garoa.

Alguns quarteirões adiante, a chuva apertou, mas já chegávamos ao local, quando vimos e não acreditamos!

Naquela esquina onde deveríamos ter um almoço gostoso e diferente, apenas trabalhadores e entulho. Toda a esquina indo abaixo e nenhum sinal do nosso restaurante. Rimos com a cena e de nossa desventura, nos dirigindo rapidamente para uma segunda opção perto de lá.

O marido constrangido comentou: “Poxa, acho que você tem que escrever no seu blog: tantos anos querendo ir a esse restaurante e no dia em que o marido concorda, o restaurante está sendo demolido!”

 

Resenha de um filme bobinho segunda-feira, 15 março, 2010

Filed under: Brincando no Parquinho,Cinema — fragmentosmoveis @ 5:31 pm

É incrível. Já assisti por inteiro (ou algumas partes) o filme “Como se fosse a 1ª vez” (50 first dates), umas 6 vezes e, como o apaixonado do filme, não me incomodo (ou me resigno) com o repeteco.

Mais cômodo seria mudar o canal da TV a cabo, mas eu não mudo.

Hoje (na verdade hoje era dia 21/02)  assisti o terço final do filme e me peguei com algumas lágrimas pulando dos olhos na penúltima cena. Digo pulando, pois não escorriam pela face e sim pulavam.

Não imaginava que isso – essa emoção – ainda fosse possível de ser despertada por esse filme. Será a química entre Adam Sandler e Drew Barrymore? Risos: não sou tão romântica assim, principalmente com comédias românticas americanas. Ou é a idéia do quanto é fácil esquecermos os momentos felizes que vivemos quase todos os dias?

Assim, mesmo já sabendo quase de cor cada cena, ainda aprecio os diálogos, ainda me envolvo com a emoção dos personagens. É como se não quisesse esquecer a emoção (até de estranheza sobre o roteiro inverossímel) que o próprio filme me despertou na 1ª vez. Transformo-me no próprio Henry, o herói apaixonado e com coragem de lutar pela felicidade, para fugir de me parecer com Lucy, a que esquece diariamente qual é o futuro que lhe aguarda!

 

Aproveitando a ocasião do 08 de março segunda-feira, 8 março, 2010

Filed under: Mulher,Parapeito de Papel,Publicidade — fragmentosmoveis @ 6:25 pm

Dispenso esta rosa!

Texto de Marjorie Rodrigues, cujo link recebi várias vezes no Twitter e por me identificar, resolvi postá-lo aqui.

Dia 8 de março seria um dia como qualquer outro, não fosse pela rosa e os parabéns. Toda mulher sabe como é. Ao chegar ao trabalho e dar bom dia aos colegas, algum deles vai soltar: ”parabéns”.

Por alguns segundos, a gente tenta entender por que raios estamos recebendo parabéns se não é nosso aniversário (exceção, claro, à minoria que, de fato, faz aniversário neste dia). Depois de ficar com cara de bestas, num estalo a gente se lembra da data, dá um sorriso amarelo e responde “obrigada”, pensando: “mas por que eu deveria receber parabéns por ser mulher?”.

Mais tarde, chega um funcionário distribuindo rosas. Novamente, sorriso amarelo e obrigada. É assim todos os anos. Quando não é no trabalho, é em alguma loja. Quando não é numa loja, é no supermercado. Todos os anos, todo 8 de março: é sempre a maldita rosa.

Dizem que a rosa simboliza a  “feminilidade”, a delicadeza. É a mesma metáfora que usam para coibir nossa sexualidade — da supervalorização da virgindidade é que saiu o verbo “deflorar” (como se o homem, ao romper o hímen de uma mulher, arrancasse a flor do solo, tomando-a para si e condenando-a – afinal, depois de arrancada da terra, a flor está fadada à morte). É da metáfora da flor, portanto, que vem a idéia de que mulheres sexualmente ativas são “putas”, inferiores, menos respeitáveis.

A delicadeza da flor também é sua fraqueza. Qualquer movimento mais brusco lhe arranca as pétalas.  Dizem o mesmo de nós: que somos o “sexo frágil” e que, por isso, devemos ser protegidas. Mas protegidas do quê? De quem? A julgar pelo número de estupros, precisamos de proteção contra os homens. Ah, mas os homens que estupram são psicopatas, dizem. São loucos. Não é com estes homens que nós namoramos e casamos, não é a eles que confiamos a tarefa de nos proteger.  Mas, bem,  segundo pesquisa Ibope/Instituto Patricia Galvão, 51% dos brasileiros dizem conhecer alguma mulher que é agredida por seu parceiro. No resto do mundo, em 40 a 70 por cento dos assassinatos de mulheres, o autor é o próprio marido ou companheiro.Este tipo de crime também aparece com frequência na mídia. No entanto, são tratados como crimes “passionais” – o que dá a errônea impressão de que homens e mulheres os cometem com a mesma frequência, já que a paixão é algo que acomete ambos os sexos. Tratam os homens autores destes crimes como “românticos” exagerados, príncipes encantados que foram longe demais. No entanto, são as mulheres as neuróticas nos filmes e novelas. São elas que “amam demais”, não os homens.

Mas a rosa também tem espinhos, o que a torna ainda mais simbólica dos mitos que o patriarcado atribuiu às mulheres. Somos ardilosas, traiçoeiras, manipuladoras, castradoras. Nós é que fomos nos meter com a serpente e tiramos o pobre Adão do paraíso (como se Eva lhe tivesse enfiado a maçã goela abaixo, como se ele não a tivesse comido de livre e espontânea vontade). Várias culturas têm a lenda da vagina dentata. Em Hollywood, as mulheres usam a “sedução” para prejudicar os homens e conseguir o que querem. Nos intervalos do canal Sony, os machos são de “respeito” e as mulheres têm “mentes perigosas”.  A mensagem subliminar é: “cuidado, meninos, as mulheres são o capeta disfarçado”. E, foi com medo do capeta que a sociedade, ao longo dos séculos, prendeu as mulheres dentro de casa. Como se isso não fosse suficiente, limitaram seus movimentos com espartilhos, sapatos minúsculos (na China), saltos altos. Impediram-na que estudasse, que trabalhasse, que tivesse vida própria. Ela era uma propriedade do pai, depois do marido. Tinha sempre de estar sob a tutela de alguém, senão sua “mente perigosa” causaria coisas terríveis.

Mas dizem que a rosa serve para mostrar que, hoje, nos valorizam. Hoje, sim. Vivemos num mundo “pós-feminista” afinal. Todas essas discriminações acabaram! As mulheres votam e trabalham! Não há mais nada para conquistar! Será mesmo? Nos últimos anos, as diferenças salariais entre homens e mulheres (que seguem as mesmas profissões) têm crescido no Brasil, em vez de diminuir. Nos centros urbanos, onde a estrutura ocupacional é mais complexa, a disparidade tende a ser pior. Considerando que recebo menos para desempenhar o mesmo serviço, não parece irônico que o meu colega de trabalho me dê os parabéns por ser mulher?

Dizem que a rosa é um sinal de reconhecimento das nossas capacidades.  Mas, no ranking de igualdade política do Fórum Econômico Mundial de 2008, o Brasil está em 10oº lugar entre 130 países. As mulheres têm 11% dos cargos ministeriais e 9% dos assentos no Congresso — onde, das 513 cadeiras, apenas 46 são ocupadas por elas.  Do total de prefeitos eleitos no ano passado, apenas 9,08% são mulheres. E nós somos 52% da população.

A rosa também simboliza beleza. Ah, o sexo belo. Mas é só passar em frente a uma banca de revistas para descobrir que é exatamente o contrário. Você nunca está bonita o suficiente, bobinha. Não pode ser feliz enquanto não emagrecer. Não pode envelhecer. Não pode ter celulite (embora até bebês tenham furinhos na bunda). Você só terá valor quando for igual a uma modelo de 18 anos (as modelos têm 17 ou 18 anos até quando a propaganda é de creme rejuvenescedor…).  Mas mesmo ela não é perfeita: tem de ser photoshopada. Sua pele é alterada a ponto de parecer de plástico: ela não tem espinhas nem estrias nem olheiras nem cicatrizes nem hematomas, nenhuma dessas coisas que a gente tem quando vive. Ela sorri, mas não tem linhas ao lado da boca. Faz cara de brava, mas sua testa não se franze. É magérrima (às vezes, anoréxica), mas não tem nenhum osso saltando. É a beleza impossível, mas você deve persegui-la mesmo assim, se quiser ser “feminina”. Porque, sim, feminilidade é isso: é “se cuidar”. Você não pode relaxar. Não pode se abandonar (em inglês, a expressão usada é exatamente esta: “let yourself go”). Usar uma porrada de cosméticos e fazer plásticas é a maneira (a única maneira, segundo os publicitários) de mostrar a si mesma e aos outros que você se ama. “Você se ama? Então corrija-se”. Por mais contraditória que pareça, é esta a mensagem.

Todo dia 8 de março, nos dão uma rosa como sinal de respeito. No entanto, a misoginia está em toda parte.  Os anúncios e ensaios de moda glamurizam a violência contra a mulher. Nas propagandas de cerveja e programas humorísticos, as mulheres são bundas ambulantes, meros objetos sexuais. A pornografia mainstream (feita pela Hollywood pornô, uma indústira multibilionária) tem cada vez mais cenas de violência, estupro e simulação de atos sexuais feitos contra a vontade da mulher. Nos videogames, ganha pontos quem atropelar prostitutas.

Todo dia 8 de março, volto para casa e vejo um monte de mulheres com rosas vermelhas na mão, no metrô. É um sinal de cavalheirismo, dizem. Mas, no mesmo metrô, muitas mulheres são encoxadas todos os dias. Tanto que o Rio criou um vagão exclusivo para as mulheres, para que elas fujam de quem as assedia. Pois é, eles não punem os responsáveis. Acham difícil. Preferem isolar as vítimas. Enquanto não combatermos a idéia de que as mulheres que andam sozinhas por aí são “convidativas”, propriedade pública, isso nunca vai deixar de existir. Enquanto acharem que cantar uma mulher na rua é elogio , isso nunca vai deixar de existir. Atualmente, a propaganda da NET mostra um pinguim (?) dizendo “ê lá em casa” para uma enfermeira. Em outro comercial, o russo garoto-propaganda puxa três mulheres para perto de si, para que os telespectadores entendam que o “combo” da NET engloba três serviços. Aparentemente, temos de rir disso. Aparentemente, isso ajuda a vender TV por assinatura. Muito provavelmente, os publicitários criadores desta peça não sabem o que é andar pela rua sem ser interrompida por um completo desconhecido ameaçando “chupá-la todinha”.

Então, dá licença, mas eu dispenso esta rosa. Não preciso dela. Não a aceito. Não me sinto elogiada com ela. Não quero rosas. Eu quero igualdade de salários, mais representação política, mais respeito, menos violência e menos amarras. Eu quero, de fato, ser igual na sociedade. Eu quero, de fato, caminhar em direção a um mundo em que o feminismo não seja mais necessário.

…Enquanto isso não acontecer, meu querido, enfia esta rosa no dignissímo senhor seu cu.
PS: meio forte o final, né? Mas às vezes é preciso falar sem tanta delicadeza.

 

Prisão e liberdade, um dia na nossa história quinta-feira, 11 fevereiro, 2010

Filed under: Curtas,Igualdade Racial,Notícias,Parapeito de Papel,Política — fragmentosmoveis @ 7:26 pm

Três manchetes do dia 11/02/10…

 

Rebuliço no Twitter: prisão iminente de Arruda

Filed under: Curtas,Internet,Parapeito de Papel,Política,Twitter — fragmentosmoveis @ 4:45 pm

Enquanto as manchetes dos principais portais da internet apenas dizem:  “Ministro apóia prisão de Arruda; STJ discute” ou “STJ discute agora prisão de Arruda” ou “STJ se reúne para discutir prisão de Arruda”, os twitteiros (principalmente de Brasília) já postam que o STJ acabou de acatar o pedido de prisão do Governador José Roberto Arruda. A ansiedade é grande.

A tag Odorico Paraguassu é uma das mais usadas nos posts hoje, segundo o Trending Brasil do Twitter, que mensura os assuntos mais postados. É uma alusão a Arruda, comparando-o com o personagem da obra de Dias Gomes, “O Bem-Amado”, e que foi novela de sucesso na década de 70, embora se admita que  a maioria dos jovens twitteiros nem saiba do que se trata. Os posts perguntando quem é o tal Odorico são engraçados.

Em breve quando for lançado o filme “O Bem Amado”, com Matheus Nachtergaele, todos entenderão as metáforas de hoje.

 

Reflexão sobre meu outro blog terça-feira, 9 fevereiro, 2010

Filed under: Brincando no Parquinho — fragmentosmoveis @ 11:41 pm

Depois de uma garrafa de sakê quase inteira eu fiquei refletindo enquanto consultava compulsivamente o site Teledramaturgia, porque raios eu tinha que olhar cada novela se a maior probabilidade era que cada ator já estivesse com toda a obra (novelas, filmes, minisséries e sei mais lá o que) relacionada no site internacional IMDB.

Comprovei  minha teoria consultando Ruth de Souza, grande atriz negra que admiro e resolvi procurar outra abordagem.

Assim, eu me dou conta o quanto sou tomada por uma atitude obssessiva quando construo meus posts n0 meu blog Folhas de Almanaque.

A questão é que tento construir cada post de forma original ou quase. Se é apenas para dar copy e past eu não preciso perder meu tempo. Alguns posts saem em 5 minutos, mas outros eu passo dias e dias pesquisando.

Este, eu posso afirmar que está demorando, pois a cada erro de digitação eu sou obrigada – perfeccionista até mesmo propensa a estar bêbada – a corrigir.