Fragmentos Móveis

Uma noite na Casa das Rosas com Yara sexta-feira, 23 março, 2007

Muitas vezes a gente lê tanto sobre as pessoas, vê os eventos na Agenda Cultural, lê na imprensa sobre livros e escritores, mas nem sempre sabemos quem é quem. Cada noite de autógrafos é diferente, cada vernissage é diferente… apesar de terem bastante em comum, pois as pessoas e emoções são diversas. Não que um evento ou pessoas sejam mais importantes (afora a relevância conquistada para a opinião pública) do que outros.
Este foi o evento de Yara Camillo. No meio literário se diz que é um dos novos talentos, despontando na maturidade. Mas para se crer, quando se trata de escritor, é preciso mesmo ler.

Casa das Rosas, na Avenida Paulista, noite chuvosa de sábado, 17º dia de março de 2007. A música de Edson Tobinaga e Wilson Neves ocupou vários momentos e vários instrumentos.
O mesmo Wilson, polivalente, é o ilustrador do segundo livro de Yara, chamado “Volições”, lançado pelo importante editor Massao Ohno.

De longe vieram outros escritores, como Lima Trindade, da Bahia, e amigos artistas de Londrina, Santos, Novo Horizonte.

Evento de Yara é assim: ela põe todo mundo para participar, como nos tempos de direção teatral. Assim, teve Gabriela Kimura e Marcelino Freire, talentos que já estão brilhando no mundo da literatura, lendo contos seus.
Por fim, Yara fez a leitura do conto “Dona Menina”, um primor que já nasceu como clássico. Leia, enfim, um pouco de Yara Camillo:

DONA MENINA

Enquanto ele não vem, Meu Deus, eu vou por aqui tenteando, armengando um que outro namorico, só assim para ir mascando um pouco esse vazio que chega a doer no meio das pernas do mês, quando encontro nos dias da fertilidade de terra roxa, roxa terra morena-morená. Entra ano, vai des-ano, ninguém me vem aqui plantar, de modo que acabo aceitando uma que outra semente que o vento toca ou o passarinho solta, só para não ficar assim, sem função. Falando sem zás-trás, eu aceito um convite no depois do baile, um perfume e um abraço roliço, chamegos… No mais das vezes de gente de fora, que a gente aqui de dentro chamamos por nome de Branquelo, Gringo, Biribando… Dependendo do ar de cada um.

[ Trecho do conto “Dona Menina”]

Veja o vídeo no post anterior, feito por Ricardo Ohno.

Abaixo a lista (atualizada) de livrarias onde o livro pode ser comprado:

LIVRARIA CULTURA

Av. Paulista, 2073 e Shopping Villa-Lobos

3170-4033


LIVRARIA CORTEZ

Rua Bartira, 317 – Perdizes

3873-7111


LIMA BARRETO / RESERVA CULTURAL

Av. Paulista, 900 – Térreo Baixo – Bela Vista

3287-7858


LIVRARIA DA VILA (Vila, Lorena e Casa do Saber)

Rua Fradique Coutinho, 915 – Vila Madalena

3814-5811


COMPANHIA DE LEITURA

Av. Dr. Vieira de Carvalho, 160 – Vila Buarque

3361-6151


RATO DE LIVRARIA

Rua do Paraíso, 790 – Aclimação

3266-4476


LIVRARIA DA ESQUINA

Rua Caetés, 489 – Esquina Rua Caiubí

3873-9331


MERCEARIA SÃO PEDRO

Rua Rodésia, Vila Madalena


SÃO JOSÉ DO RIO PRETO – SP

Rua Marechal Deodoro, 3131 – Apto. 64 – 6º and.

Em MINAS GERAIS:

POÇOS DE CALDAS – MG

Libertas Livraria

Rua Rio de Janeiro, 389 – Centro

(35) 3722-6006


Ou pelo site www.literaturaonline.com.br

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Enquanto isso na Argentina – II sexta-feira, 12 janeiro, 2007

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Parapeito de papel: Enquanto isso na Argentina

Hoje a Globo News repercutiu a manchete do Clarim sobre o pedido de prisão da ex-presidente Isabelita Perón. Aqui é difícil acompanhar em detalhes o que ocorre em outros países. Este é mais um exemplo. Enquanto estive lá, li que sua gestão está sendo investigada e já haviam denúncias sobre seus principais assessores (corrupção, desvio de verbas e atrocidades). Em breve esperava-se que ela seria atingida. A matéria no jornal dava mais destaque, no entanto, à sua solidão, ressaltando o fato de que nem as amigas a visitavam mais.
Certamente, não basta nos basear na leitura da grande imprensa local para termos mais informações do que ocorre no mundo. Há que se percorrer um caminho mais árduo de buscar a imprensa alternativa e além do mais discernir quem é quem. Não é fácil. Dá trabalho. Por isso nos acomodamos à leitura filtrada que nos é proporcionada pela nossa própria imprensa.
Mas, enfim, o interessante de buscar a imprensa alternativa – imprensa ou online, é que tentamos escapar das versões oficiais.
Há muitos anos, ouvi num curso de História da Arte, do prof. da USP Nicolau Cevcencko, que a história da arte é, no fundo, a história dos vencedores, uma vez que só foram preservadas as obras consideradas de valor pela classe dominante. A versão oficial da arte, sob o ponto de vista dos vencedores.

 

Enquanto isso na Argentina domingo, 7 janeiro, 2007

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Cada vez mais tenho consciência do quanto acontece no mundo e que nós não tomamos conhecimento. O mundo globalizado só garante que a filtragem de informações é mais eficaz.
Passando o fim de ano em Buenos Aires, acompanhei pela TV e jornais locais o que só o Clarim online nos daria conta, se estivéssemos atentos: nos processos em curso em decorrência da ditadura militar, testemunhas contra os torturadores da década de 70 são sequestrados.
Um deles continua sumido. Durante os poucos dias na Argentina vimos um ex-militante da década de 70, Luiz Gerez, ser sequestrado e libertado 40 minutos após um pronunciamento de Kirchner. Gerez havia testemunhado contra seu ex-torturador, que foi impedido de tomar posse num cargo legislativo.
O fato de repercussão nacional e até internacional fez com que Kirchner, reeleito presidente, fizesse seu segundo pronunciamento pela televisão. A população temendo o fortalecimento da direita, o governo tentando demarcar sua força, a maioria dos turistas alheios aos inesperados fatos.